Guiando meia hora na estradinha de terra até vermos a casinha simples.
_Tanto tempo que não aparecemos aqui. Talvez haja ratos brincando na sala.
_Você me traz pra uma casa cheia de ratos, filho da puta?
_Os gatos do vizinho bêbado estão sempre aqui. Talvez não haja ratos.
Saindo do carro eu digo:
_As laranjas estão maduras.
Começamos a comer as frutas sem pensar em nada. A cidade tinha ficado longe. Havia apenas o silêncio do mato. Ela tira a saia. Estava sem calcinha. E ela mija.
Ouvimos um assobio de homem. O vizinho bêbado escondido no mato diz:
_Não é todo dia que eu vejo uma mulher pelada bonita igual essa.
Eu digo:
_Vou lá na sua casa contar isso pra Renata. Ela vai quebrar sua cabeça de bêbado.
E ela tira a blusa. Estava sem sutiã. E ele assobia, sai do mato e chega perto de nós.
_Que saudade de vocês. Principalmente dela.
_Eu não senti saudade nenhuma desse seu bafo de cachaça. Você sentiu saudade dele, Ani?
_Senti. Eu senti saudade de ver a Renata dando uma surra nesse cachaceiro.
Ele olhou pra mim e disse:
_Tem alguém que andava se cagando de medo de morrer por causa de uma gripezinha.
_Ani, você fala com esse cachaceiro?
_Quando você disse que ia passar um domingo aqui eu liguei pra ele, pra saber como é que estavam as coisas por aqui. E contei que você quase morreu.
Ela começa a rir. E o bêbado diz:
_Comprou até o caixão?
_Se ela contou tudo pra você , ela disse que foi só dois dias. Uma gripe tão forte e uma falta de ar. Pensei que era a pôrra dessa peste.
Ele ficou rindo e disse:
_Achou que ia morrer. Eu já me separava e casava com a sua namorada. É bom olhar ela toda pelada desse jeito.
_Mas já olhou bastante meu corpo. Agora volta pra sua casa porque eu fiquei com vontade de dar e não é pra você.
_Então fodam-se.
Ele vai indo embora. Eu tiro a roupa , ela deita no gramado e eu encosto meu corpo nu no corpo nu dela. Pra sentir o calor e a vida pulsante do corpo dela.
_Ani, nós somos diferentes dessas laranjas.
Ela ri e diz:
_Que frase inteligente. Eu achei que as pessoas fossem iguais as laranjas.
_Ani, as laranjas nascem, amadurecem e, se ninguém comer ,elas apodrecem na laranjeira. Nós nascemos, ficamos adultos, depois envelhecemos e morremos. Mas no dia em que eu tive a gripe ou a covid, sei lá... Quando eu disse pras pessoas ficarem longe de mim porque eu podia estar com covid , eu percebi que algumas pessoas se importaram comigo. E acho que elas iam sentir falta de mim. Acho que eu sou mais importante que uma laranja.
_Existem bilhões de homens no mundo, mas se você tivesse ido pro caixão eu ia lembrar de você. Você é um cara comum, mas cada pessoa tem algo diferente. Eu ia lembrar de você.
_Você ia lembrar mais de mim ou ia lembrar mais das laranjas?
_As laranjas eu ia continuar comendo. Mas se você estivesse morto a minha buceta não ia mais comer você. E eu e ela ficaríamos pensando em você.
_Ela pensa? Então só falta ela falar.
Ela deu uns tapas nos lábios genitais e disse:
_Esse som foi ela mandando você tomar no cu.
_E você também vai querer?
_Não, hoje meu rabo está de férias. Então vamos pra praia. Férias é na praia. Eu não quero entrar naquela casa e ver ratos.
O bêbado gritou no meio do mato:
_Meu gato Zequinha todo dia vem aqui na casa de vocês pra caçar os ratos.
_Está certo, Ani, vamos pra praia. E você, depois eu vou ligar pra sua mulher e contar tudo isso. Prepare seus chifres pra apanhar de cabo de vassoura.
Nenhum comentário:
Postar um comentário